quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Costurando o Futuro, projeto social da Fundação Volkswagen, forma o primeiro grupo de empreendedores

O projeto Costurando o Futuro, desenvolvido pela Fundação Volkswagen em parceria com a Prefeitura de São Bernardo do Campo e a Associação Mundaréu, forma o primeiro grupo de 18 empreendedores, que após o período de aprendizado no programa acabam de criar a companhia Tecoste (que significa Tecido, Costura e Arte).
Com vistas ao desenvolvimento social de comunidades próximas à fábrica de São Bernardo do Campo, o projeto, que contou com investimentos de R$ 550 mil da Fundação Volkswagen, doa uniformes usados por funcionários, amostras de tecido automotivo e até cintos de segurança para que sejam transformados em novos produtos, como necessaires, bolsas, aventais, entre outros. Com a matéria-prima, os participantes têm a oportunidade de aprender um novo ofício e gerar renda, reduzindo, ao mesmo tempo, o impacto ambiental do descarte dos materiais.
O programa teve início em maio de 2009, com um primeiro grupo de 40 pessoas em situação de fragilidade social na comunidade DER, que participaram de um trabalho de aperfeiçoamento técnico no ofício da costura, além de acompanhamento psicológico e aulas de empreendedorismo. Em 2010, mais 120 pessoas foram capacitadas pelo primeiro grupo na oficina-escola. Muitos já estão no mercado de trabalho.
Atualmente 18 integrantes da primeira turma de participantes do programa formaram a Tecoste e trabalham na oficina de costura montada na SEDESC, Secretaria de Desenvolvimento Social de São Bernardo do Campo, onde já criaram três linhas de produtos, com mais de 30 itens, como mochilas, lixeiras para carro, estojos, entre outros. Até hoje, 31 toneladas de tecido foram reutilizadas no projeto.
"Após uma primeira fase de transformação social, com o início do projeto, passamos pelo aperfeiçoamento técnico e percebemos agora o início da autonomia dessas pessoas, por meio da geração de renda", diz Conceição Mirandola, diretora da Fundação Volkswagen.
O processo de produção das peças começa quando os uniformes usados pelos funcionários da Volkswagen são trocados na fábrica por novos. Os uniformes são encaminhados para uma triagem, e após a limpeza, vão para a sede do Costurando o Futuro. Lá, o tecido é separado entre golas, mangas, costas, entre outras partes, e tem início o trabalho de corte e costura das peças.
O trabalho envolve ainda uma gestão administrativa de compras, gestão de estoque, confecção e vendas, tudo feito pela própria equipe. Os empreendedores se envolvem em todas as etapas da produção, como controle de estoque, de pessoal, concepção e venda de produtos e distribuição do lucro.
Uma das integrantes é Lusinete de Souza Almeida, 56 anos. Ela, que sempre trabalhou, estava sem conseguir emprego havia dois anos, por conta da idade. Ao entrar no Costurando o Futuro, aprendeu a costurar, vender, e hoje é a responsável pela área administrativa do grupo. "Não tive muita intimidade com a máquina de costura, mas me encontrei no controle dos pedidos, das finanças. Consigo agora ter a minha independência, com um dinheiro que ajuda com as despesas em casa", comemora.
Já a costureira Francisca Lopes Ferreira da Silva, de 53 anos, sonha com a casa própria. Ela diz ter gosto pela costura desde menina. "Amo costurar, desde pequena fazia bonecas, e era louca para aprender mais, mas faltava oportunidade. Agora eu vou virar dona da minha empresa, com meus amigos", comenta Francisca.
Os integrantes da Tecoste já conseguem complementos de renda de em média R$ 400 mensais, que dependem do ritmo de produção e vendas das peças. Francisca e Lusinete esperam conseguir ampliar os lucros juntamente com as colegas.
A Tecoste tem como principal cliente a própria Volkswagen, que já chegou a utilizar o necessaire desenvolvido pelo grupo como brinde no último Salão do Automóvel, em 2010, entre outros eventos. O grupo cria no momento protótipos para uso em veículos, como uma bolsa para guarda-chuvas molhados. Mas o grupo se prepara para aumentar a escala de produção com a formalização do empreendimento social, por meio de cooperativa ou empresa, que será gerida pelas próprias costureiras, além do modelista e cortador Dirceu Tena.
Costurando o Futuro é um dos quatro projetos que compõem o pilar de Desenvolvimento Social da Fundação Volkswagen. São eles: VW na Comunidade, um concurso entre funcionários da Volkswagen para a indicação de projetos para obtenção de apoio da empresa; Pró-Educar Brasil, programa de apoio à formação superior de professores; e o apoio ao Instituto Baccarelli, responsável pela Orquestra Sinfônica de Heliópolis, formada por jovens da comunidade. Em 2009, com menos de um ano de existência, foi premiado com o POP – Prêmio Nacional de Opinião Pública – pela sua capacidade de transformação social.

obre a Fundação Volkswagen

Ao longo dos mais de 30 anos de existência, a Fundação Volkswagen é responsável pelo investimento social da empresa no País, por meio de projetos com foco em educação e desenvolvimento social. Tem como objetivo promover a qualidade de vida das pessoas nas comunidades de baixa renda e melhoria na qualidade da educação pública. A estratégia de atuação baseia-se no desenvolvimento de um trabalho articulado em rede, por meio de parcerias entre os setores públicos, privados e a sociedade civil organizada (Organizações não-governamentais – ONGs), para, conjuntamente, implementar projetos que influenciem políticas públicas e que sejam sustentáveis a longo prazo.

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